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2013-09-01

As Balas

Poema: Manuel da Fonseca
Música: Adriano Correia de Oliveira
Intérprete: Adriano Correia de Oliveira* (in LP "Que Nunca Mais", Orfeu, 1975, reed. Movieplay, 1997; "Obra Completa": CD "Que Nunca Mais: Adriano Canta Manuel da Fonseca", Movieplay, 1994, 2007)





[instrumental]

Dá o Outono as uvas e o vinho
Dos olivais azeite nos é dado
Dá a cama e a mesa o verde pinho
As balas deram sangue derramado

Dá a chuva o Inverno criador
Às sementes dá sulcos o arado
No lar a lenha em chama dá calor
As balas deram sangue derramado

Dá a Primavera o campo colorido
Glória e coroa do mundo renovado
Aos corações dá o amor renascido
As balas deram sangue derramado

[instrumental]

Dá o sol as searas pelo Verão
O fermento no trigo amassado
No esbraseado forno cresce o pão
As balas deram sangue derramado

Dá cada dia ao homem novo alento
De conquistar o bem que lhe é negado
Dá a conquista um puro sentimento
As balas deram sangue derramado

De meditar, concluir, ir e fazer
Dá sobre o mundo o homem atirado
À paz de um mundo novo de viver
As balas deram sangue derramado

[instrumental]

Dá a certeza, o querer e o construir
O que tanto nos negou o ódio armado
Que a vida construir é destruir
Balas que deram sangue derramado

Essas balas deram sangue derramado
Só roubo e fome e o sangue derramado
Só ruína e peste e o sangue derramado
Só crime e morte e o sangue derramado

[instrumental]


* [Créditos gerais do disco:]
Fausto Bordalo Dias – guitarra acústica, percussão, kazu, coros
Júlio Pereira – guitarra solo, baixo, piano, órgão, bandolim, buzuki, cadeira, coros
Zau e Pantera – percussões
Vitorino Salomé – acordeão
José Luís Simões – trombones de varas
Carlos Paredes – guitarra portuguesa
Arranjos e direcção musical – Fausto Bordalo Dias
Gravado nos Estúdios Rádio Triunfo, Lisboa
Técnico de som – José Manuel Fortes
Biografia e discografia em: A Nossa Rádio

Fala do Homem Nascido

Poema: António Gedeão (ligeiramente adaptado) [>> texto original abaixo]
Música: José Niza
Intérprete: Adriano Correia de Oliveira* (in LP "Cantaremos", Orfeu, 1970, reed. Movieplay, 1999; "Obra Completa": CD "Gente de Aqui e de Agora e Outras Canções: Adriano Canta José Niza", Movieplay, 1994, 2007)





[instrumental]


Venho da terra assombrada,

Do ventre da minha mãe;
Não pretendo roubar nada
Nem fazer mal a ninguém.

Só quero o que me é devido

Por me trazerem aqui,
Que eu nem sequer fui ouvido
No acto de que nasci.

Trago boca para comer

E olhos para desejar.
Tenho pressa de viver,         | bis
Que a vida é água a correr.  |
Venho do fundo do tempo;
Não tenho tempo a perder.

[instrumental]


Minha barca aparelhada

Solta o pano rumo ao norte;
Meu desejo é passaporte
Para a fronteira fechada.
Não há ventos que não prestem
Nem marés que não convenham,
Nem forças que me molestem,
Correntes que me detenham.

Quero eu e a Natureza,

Que a Natureza sou eu,
E as forças da Natureza
Nunca ninguém as venceu.

[instrumental]


Com licença! Com licença!

Que a barca se fez ao mar.
Não há poder que me vença.   | bis
Mesmo morto hei-de passar.   |
Com licença! Com licença!
Com rumo à estrela polar.

[instrumental]


Venho da terra assombrada,

Do ventre da minha mãe;
Não pretendo roubar nada
Nem fazer mal a ninguém.

Só quero o que me é devido

Por me trazerem aqui,
Que eu nem sequer fui ouvido
No acto de que nasci.


* Rui Pato – viola

Biografia e discografia em: A Nossa Rádio



FALA DO HOMEM NASCIDO


(António Gedeão, in "Teatro do Mundo", Coimbra, 1958; "Poemas Escolhidos: Antologia Organizada pelo Autor", Lisboa: Edições João Sá da Costa, 1997)



(Chega à boca de cena, e diz:)


Venho da terra assombrada,

do ventre da minha mãe;
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém.

Só quero o que me é devido

por me trazerem aqui,
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci.

Trago boca para comer

e olhos para desejar.
Com licença, quero passar,
tenho pressa de viver.
Com licença! Com licença!
Que a vida é água a correr.
Venho do fundo do tempo;
Não tenho tempo a perder.

Minha barca aparelhada

solta o pano rumo ao norte;
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada.
Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham,
nem forças que me molestem,
correntes que me detenham.

Quero eu e a Natureza,

que a Natureza sou eu,
e as forças da Natureza
nunca ninguém as venceu.

Com licença! Com licença!

Que a barca se fez ao mar.
Não há poder que me vença.
Mesmo morto hei-de passar.
Com licença! Com licença!
Com rumo à estrela polar.